Olhe para o trânsito nas avenidas brasileiras. É um mar de tons de cinza, branco, prata e preto. A falta de ousadia nas cores dos veículos no Brasil não é um problema de mau gosto estético, é uma proteção financeira instintiva. A cor do carro é um dos fatores mais pesados na liquidez (velocidade de venda) de um bem usado.
A Ditadura do Branco, Prata e Preto
A Tabela FIPE calcula o valor do modelo base, ela não precifica se o carro é Branco Sólido ou Laranja Metálico. No entanto, na hora da avaliação física, o lojista usa a cor contra você. Modelos em cores neutras têm "Giro Rápido". Um Honda Civic Prata entra na loja e sai vendido na mesma semana. O lojista paga um valor mais próximo da FIPE por ele.
O "Mico" das Cores Quentes
Se você comprou aquele hatch esportivo na cor Amarelo Cítrico ou Vermelho Metálico, esteja preparado para a penalização comercial. Cores extravagantes limitam severamente o perfil do comprador final. O lojista sabe que aquele carro amarelo pode ficar encalhado no pátio por 4 meses, queimando capital.
Por causa desse risco de tempo de estoque, a oferta de compra por carros de cores berrantes sofre, invariavelmente, um deságio que pode variar entre R$ 2.000 a R$ 5.000 a menos na avaliação final em relação a um idêntico na cor prata. As exceções à regra ocorrem em modelos superesportivos (onde vermelho/amarelo é esperado) ou cores lançadas exclusivamente para identificar uma versão premium (como o Azul Estoril de algumas marcas alemãs).
A Matemática da Tinta
Cuidado ao escolher carros "Branco Pérola". Eles não apenas sofrem de amarelamento com o tempo se ficarem no sol, como são o terror dos funileiros. Diferente da cor lisa (sólida), acertar a repintura em um arranhão de porta em um carro pérola é extremamente difícil. Se mal feito, o carro fica com a porta de uma cor e o para-lama de outra, derrubando o valor na vistoria cautelar na hora da sua venda.